sábado, 12 de junho de 2010

Coleta seletiva: o descarte correto que ninguém faz


Nos lugares que freqüentamos, lá estão elas: latas coloridas que nos incentivam a separar vidro, plástico, metal e papel. As boas intenções dos que descartam o lixo no seu respectivo cesto não são valorizadas. “A coleta seletiva não existe. Só quando há interesse particular” diz a coordenadora do curso de Biologia do CEULJI/ULBRA. “Aqui mesmo em Ji-Paraná não tem política pública sobre isso”.


Quando a coleta seletiva é realmente implantada em uma cidade há geração de renda, mas para que isso possa iniciar, é preciso investimento. “A prefeitura e o governo, por enquanto, não demonstraram interesse” diz Cleide. Segundo a coordenadora também haveriam benefícios como menos impacto ambiental e se resolveria parte dos problemas sociais com a renda gerada.


Mesmo com a falta de estímulo de terceiros, existem alternativas para os interessados em dar um fim consciente em seu lixo. “Quem quiser fazer sua parte tem que levar o lixo separado para empresas particulares” conta Cleide. “Essas empresas de Ji-Paraná estão comprando lixo de outros municípios porque quase não há procura de interessados”.

14 motivos para separar seu lixo

Existe, mas ninguém pratica


No ensino médio, todos ouvem falar dos três erres da educação ambiental – reduzir, reutilizar e reciclar. Vemos o símbolo com a letra dentro de três flechas em embalagens, cartazes, outdoors, camisas e outros objetos. Mesmo estando estampado em todo lado, os três erres parecem não fazer efeito. “Agora existe até cinco erres que focam o reaproveitamento do lixo, mas isso não funciona”, conta Cleide Resende, coordenadora do curso de Biologia do CEULJI/ULBRA.


Esses “erres” servem para facilitar a conscientização das pessoas para o controle da produção de lixo, algo que tem atingido altos picos de desperdício, poluição e lixo, muito lixo. Uma cidade como São Paulo produz por dia lixo equivalente a quatro edifícios. Contrastando com essa realidade, o “r” do reciclar se sobressai, ao menos na teoria. “Existe muito daquela história de transformar uma garrafa PET em bolsa, porém isso é uma forma de retardar o descarte de lixo”, explica a coordenadora.


Cleide acha que entre os erres, o único que as pessoas deveriam adotar é o reduzir, pois o reciclar não existe, “A reciclagem é um processo caro”. Mas ainda assim, reduzir o lixo é um desafio, “Reduzir lixo interfere na cultura das pessoas. Ninguém quer abrir a mão do prático, ninguém quer abandonar velhos hábitos”.

Compostagem, uma saída para os preocupados com lixo

Uma riqueza passa por nossas mãos enquanto não percebemos. Cortamos frutas, legumes e verduras e nos livramos das cascas, e nem sabemos que elas podem virar adubo de jardim. Em período de agrotóxicos e transgênicos, muitas pessoas estão optando por ter uma horta em casa, a procura por adubo aumentou. “A qualidade desse adubo é melhor do que o adubo químico, porque não degrada o meio ambiente”, explica o acadêmico de Biologia do CEULJI/ULBRA, Roberto Ribeiro Rodrigues.

O nome da prática que transforma materiais orgânicos em adubo chama-se compostagem, esse processo é uma alternativa para transformar restos que achamos não ter utilidade. “Essa prática é uma saída para reduzir pelo menos o lixo orgânico” acrescenta o estudante.

Ainda há alternativa para os preocupados com o meio ambiente que moram em apartamentos. “A pessoa pode colocar o lixo orgânico em um recipiente de plástico, lá os organismos anaeróbicos irão decompor esses restos, em um período de seis meses haverá uma massa preta, esse é o adubo”.